quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Série - O Natal na Arte III

Poema de Natal
Vinicius de Moraes



Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.




 (Natal: Jusepe de Ribera,  pintor espanhol, séc. XIX)


(Natal: Caravaggio, pintor barroco ialiano, séc. XVII)


(Natal: Rodrigo de Osona, o Jovem, 
pintor Renascentista italiano, séc. XVI)


(Natal: Rubens, pintor flamengo barroco, séc. XVII)


(Natal: Rembrandt, pintor e gravador  barroco holandês, séc. XVII)


(Natal: El Greco, pintor, escultor e arquiteto maneirista grego, 
séc. XVI)


(Natal: Tintoretto, pintor maneirita barroco italiano, séc. XVI)




Postar um comentário